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Olhei o rio, com tristeza,
ao ver as águas tão turvas,
E um pouco de natureza,
morrendo nas suas curvas...
Quem diria, que algum dia,
esse rio já foi bonito;
Tinha um azul de poesia,
mais lindo do que o infinito!
Tinha peixes, que nadavam;
crianças, que se banhavam,
Tinha vida no seu leito.
Mas o homem, por maldoso,
por covarde e ganancioso,
Quis o rio em seu proveito:
- Despejou toda a sujeira:
Lixo, esgoto, veneno,
Desde a foz, à cabeceira...
e o rio tornou-se pequeno.
- Pôs entulhos nas
barrancas... cortou a mata que havia;
- Abriu dos tanques as
trancas... matou tudo o que podia;
Contaminou toda’s águas...
descarregou suas mágoas
Nas correntezas do rio.
Foi barbárie... foi violência...
Foi a falta de consciência
De um ser humano, vazio.
Agora, que já é tarde, que
o rio está poluído,
Muita gente faz alarde,
querendo tirar partido.
Se faz discursos, campanhas,
promessas e “patacuadas”,
Mas, chorar o rio, nas
entranhas das águas contaminadas.
Depositam-se esperanças, na
consciência das crianças,
Que’inda haverão de salvá-lo...
Lava as mãos a autoridade,
porque nunca, na verdade,
Foi capaz de respeitá-lo.
Se faz, às pressas,
projetos, de orçamentos milionários;
Criam-se leis e decretos,
com intuitos mercenários.
Se busca financiamentos na
esfera internacional;
Mas, vergonha e sentimentos,
esbarram no capital.
Porém, um dia... é
certeza! Será a lei da natureza
Nos pondo contra a parede.
Então virá o momento de
dor e arrependimento,
Na hora da extrema sede!!!
Sebastião Teixeira Corrêa
Primeiro Lugar Estadual
Concurso Literário da Associação Literária Mário Quintana - 2000
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