Tese Guia

 

 

O MOVIMENTO ECOLÓGICO GAÚCHO E O PARADIGMA HOLÍSTICO: 

UM OLHAR SOBRE NOSSA REALIDADE. 


Hoje fala-se muito de holismo e de uma visão sistêmica da realidade sem levar em conta o fato de que o Movimento Ecológico Gaúcho já nasceu como uma visão sistêmica e holística desde suas épocas pioneiras. Aperfeiçoando teoricamente esta visão, Capra, coloca em uso o pensamento sistêmico, bem como os conceitos da teoria da complexidade, que servem para compreender as três dimensões básicas da vida: biológica, cognitiva e social. Freqüentemente, militantes do movimento ecológico, perdem a dimensão holística na sua atuação prática ao confundir política partidária com política ecológica.

 

Freqüentemente, a confusão entre política partidária e política ecológica tem conseqüências perversas no próprio seio do movimento ecológico, sendo imprescindível ter bem clara esta diferença e atuar pedagogicamente para desfazer esta confusão tão comum na nossa cultura política.

 

O Movimento Ecológico Gaúcha (MEG) é uma Rede viva de comunicação na qual as convicções e os princípios éticos devem pautar-se de forma objetiva e clara pela idéia de responsabilidade implícita no fato de ser um conjunto de conexões. A dimensão da ética ecológica parte da base relacional que consiste em pertencer a uma rede de conexões críticas de um movimento social. A questão ecológica como desafio de superar a civilização industrial contemporânea, vai além do status quo estabelecido, não se deixando reduzir ao paradigma imposto pela atual globalização excludente. A questão ética e política do movimento ecológico é inseparável da sua dimensão pedagógica transformadora, nas suas relações internas e destas com a sociedade e suas instituições. Ambas, ética e política, são dimensões constituídas pelo conhecimento ecológico competente e criador, adaptado a cada contexto (local, regional, estadual, nacional e internacional). Portanto é necessário que exista uma coerência radical entre o que pensamos, o que sentimos, o que sabemos e o que fazemos. A ética da Rede é a ética da solidariedade. Mas a solidariedade não significa complacência, cumplicidade e subserviência.

 

O MEG tem no trabalho voluntário sua forma básica de atuação. Esta condição faz com que nosso movimento tenha uma autenticidade e autonomia de um valor inestimável que constituem a dimensão mais valiosa do seu patrimônio moral. A necessidade de profissionalização tem levado muitas entidades à perda da sua autonomia política e com a restrição do seu campo de ação.

 

O MEG propugna a descentralização de todas as instâncias de poder, inclusive do próprio movimento. Criamos uma APEDEMA/RS, e não uma federação porque, normalmente estes órgãos centralizam poder e representatividade para si mesmos, deixando as entidades originais numa posição subalterna e dependente. O objetivo fundamental da APEDEMA não é o promover o seu próprio crescimento e influência, mas fortalecer o MEG sistêmico como uma Rede. Por esta razão sua coordenação é colegiada e sem pretender a posição de porta-voz do MEG.

 

O MEG luta para interferir localmente através de modificações estruturais nos planos da produção econômica e do consumo adaptados à vocação territorial das municipalidades e à sustentabilidade ecológica e social. Existe um acúmulo de conhecimentos tecnológicos e científicos para respaldar cada entidade da Rede. A APEDEMA, através das suas entidades-membro, pode e deve auxiliar na busca constante de equacionamentos, propostas e informações no direcionamento técnico, político e cultural do movimento como um todo nas suas conexões.

 

O MEG entende a partir da perspectiva de vanguarda que lhe é própria, que os ecossistemas naturais e assentamentos humanos continuam a ser o ponto de partida e de chegada para a reintrodução e implementação da sustentabilidade em todos os níveis. Inspirado nos seus “mestres pioneiros”, priorizando sempre ações concretas, sem subserviência, defendendo que a criação de vontade política dos governantes e da coletividade é que faz a diferença na direção do novo modelo civilizatório voltado para a preservação da vida.

 

A guerra que a coalisão Estados Unidos-Inglaterra está movendo contra o Iraque exemplifica o modelo civilizatório hegemônico, ecológica e humanamente insustentável. Trata-se de um roubo de recursos naturais e de um processo de destruição cultural, étnica e de um atentado político à soberania de um país.

 

O desafio do MEG é atuar em ações conjuntas tais como: a poluição genética, o estresse dos recursos hídricos, tecnologias limpas, reforma agrária ecológica, mudanças climáticas, a preservação do bioma Pampa,a eco-alfabetização, entre outros.

 

 

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Atualizado em 26/03/2003.

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